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Sobre propósito e novos caminhos

A necessidade de encontrar modelos mais inclusivos e sustentáveis já vem sendo anunciada por ativistas, empreendedores e cientistas do mundo inteiro. Nesse grupo de inovadores globais, Eduardo Shimahara se destacou pela visão singular do uso educação e da colaboração como ferramentas de impacto social e econômico. Um dos fundadores da Ânima Educação, grupo do qual HSM faz parte, Shima, como era carinhosamente conhecido, nos deixou na última quarta-feira (dia 22).

Com passagens pela Suécia, Espanha, Inglaterra, Indonésia, Argentina e Índia, Shima foi criador e participante de inúmeros projetos educacionais voltados à inclusão social, muitos deles reunidos no livro ‘Volta ao mundo em 13 escolas”. Nos últimos anos, se dedicou a iniciativas de ativismo e transformação social na África do Sul, país que tinha como lar desde 2013, com a filha Zoe e o filho Elliot.

Em homenagem à sua jornada, publicamos abaixo o texto escrito para a revista HSM Management #122, em parceria com Sandra Chemin, no qual ele compartilha sua visão sobre uma era de mudanças cada vez mais necessária para a sociedade, a economia e os negócios. 

Do lado de baixo do Equador

Vivemos uma era de mudança de paradigma. Duas em cada três pessoas pretendem deixar seus empregos, segundo pesquisa da consultoria Deloitte com millennials de 29 países. E o choque entre os valores pessoais e o comportamento das empresas em que trabalham é um dos responsáveis por isso.

As práticas de gestão que nos trouxeram até aqui não são páreo para a complexidade sistêmica dos desafios a nossa frente. Para as soluções, precisamos de um paradigma diferente daquele que gerou os problemas. Paralelamente à tão comentada revolução exponencial tecnológica, é hora de uma revolução exponencial também nas relações humanas.

Isso fica evidente quando se fala de propósito. Ao colocar o propósito no centro da estratégia de negócio, as empresas deparam com novos desafios: para o propósito ser verdadeiro, ele tem de fazer sentido para quem trabalha; é preciso haver consciência do propósito individual e como ele se conecta com o propósito coletivo. Isso exige das organizações práticas colaborativas e modelos descentralizados de gestão.

Como aprenderemos a fazer isso? Nossa aposta é que nós, que estávamos acostumados a olhar para o hemisfério norte em busca de inspiração, precisaremos começar a olhar para a região abaixo da linha do equador. É no hemisfério sul do planeta que estão surgindo as práticas mais colaborativas, os modelos descentralizados de gestão e os negócios orientados por propósito, embora ainda sejam relativamente pouco divulgados. Gestores e empresas do mundo inteiro começam a pesquisar países como Nova Zelândia, África do Sul e Brasil e seus experimentos sobre um novo jeito de trabalhar e de viver.

Nova Zelândia, um país com propósito

“Como podemos operar de modo sustentável?” Essa foi a pergunta que os irmãos Matthew e Brian Monahan, empreendedores do Vale do Silício, se fizeram cinco anos atrás ao vender sua startup e escolher a Nova Zelândia como o lugar onde buscar respostas.

Os Monahan criaram a organização Kiwi Connect e o festival New Frontiers para unir pessoas do mundo todo interessadas em construir novas economias regenerativas para a sociedade. O intenso intercâmbio de conhecimento decorrente disso (que incluiu levar o chefe de imigração neozelandesa para visitar o Vale do Silício) deu origem a um movimento que olha para os maiores desafios da humanidade e reflete sobre qual o papel da Nova Zelândia no mundo hoje.

Em janeiro de 2017, o governo neozelandês lançou o Global Impact Visa, o único visto no mundo para atrair empreendedores e investidores que queiram desenvolver negócios de impacto global a partir da Nova Zelândia. Para criar um ecossistema de apoio a empreendedores conscientes que fosse a um só tempo local e global, foi fundada a Edmund Hillary Fellowship, parceria entre o governo neozelandês, a Kiwi Connect e a Edmund Hillary Foundation. Quando um país resolve mudar seu sistema de imigração para abraçar um propósito – o de resolver os maiores desafios da humanidade –, é sinal de que os paradigmas estão mudando. E a Nova Zelândia começa a ser apelidada de “Vale do Silício do propósito”.

Pioneira em novos modelos de empreendedorismo em rede, a Enspiral simboliza bem esse cluster de inovação diferenciado. Nascida do encontro de empreendedores digitais e ativistas, trata-se de uma rede global de 250 profissionais cujo propósito é aumentar o número de pessoas trabalhando naquilo que realmente importa. Nos últimos anos, a Enspiral fundou startups que combinam práticas sociais com tecnologia de ponta para criar uma cultura participativa no mundo.

Entre as startups em funcionamento está o Loomio, uma plataforma de tomada de decisão distribuída e assíncrona que ganhou o mundo. Sua ferramenta já é usada por 32 mil grupos em 93 países. Outra empresa da rede é o Human Methods Lab, que pesquisa e desenvolve práticas de colaboração e de liderança descentralizada. “Quanto mais conhecemos as habilidades de nossos pares e confiamos em sua competência, mais serena é a passagem do bastão e mais fluido o processo da liderança líquida”, explica o brasileiro Lucas Freitas, sócio do Human Methods Lab. E uma futura startup da Enspiral nascerá em torno do Co-budget, ferramenta de orçamento participativo em que todos podem propor projetos e escolher em que iniciativas investir.

Não é só com os “produtos” de suas startups que a Enspiral mostra seu propósito, contudo; o jeito como ela funciona é totalmente novo. Por exemplo, ela se estruturou para ser uma organização de alta confiança – sem hierarquia, na qual os líderes deixam de ser chefes para se tornar facilitadores. Organizou-se assim porque sabe que hoje é mais importante fazer as perguntas certas do que ter respostas, mas estas dependem de uma equipe confiável.

A Enspiral também realiza, a cada seis meses, retiros com seus membros, com o objetivo de criar relacionamentos e aprofundar temas que não têm espaço no dia a dia – uma nova maneira de pensar e agir condizente com a cultura participativa.

Diversidade na África do Sul

É um erro acreditar que o continente africano se resume a clichês como caça ilegal de leões, crianças famintas e conflitos tribais. A Cidade do Cabo, na África do Sul, que foi eleita em 2014 a capital mundial do design, além de escolhida como destino número um do mundo pelo New York Times, impressiona pela pluralidade. Combina infraestrutura turística e serviços europeus com pobreza de terceiro mundo, em um cenário único de diversidade cultural – são 11 diferentes idiomas oficiais, por exemplo.

Um simples passeio à beira-mar permite conferir esses contrastes, que fertilizam um rico ecossistema empreendedor norteado por propósitos.

Alguns empreendedores respondem, por exemplo, à violência. É o caso de Sheryl Ozinsky, que, em 2013, acordou em uma manhã de domingo com uma arma apontada em sua direção. O trauma do assalto em sua casa alavancou a busca de um projeto que tornasse o lugar melhor. Então, transformou um sítio abandonado em seu bairro, com uma sede histórica, em uma fazenda urbana, a Oranjezicht City Farm (OZCF). A pequena feira de produtos orgânicos colhidos em sua horta deu origem a um bem-sucedido mercado de fazendeiros locais instalado no Water Front, ponto turístico da Cidade do Cabo. A fazenda já fatura o equivalente a US$ 1 milhão anuais, oferece projetos de educação à comunidade e é referência na produção de comida em áreas urbanas de todo o mundo.

A Oranjezicht também difunde globalmente um conceito poderoso: “local is lekker” (local é legal). O brasileiro Alexandre Moreno, sócio-fundador da empresa de educação corporativa Syntese, vibrou ao visitar a fazenda em maio último: “Fortalecer a produção local não é uma questão semântica apenas; é questão de alma”.

Outros empreendedores são movidos pela pobreza, como o fato de que 34% da população de áreas rurais da África não tem acesso a bancos – e, segundo o Banco Mundial, isso ocorre principalmente porque essa mesma parcela não tem acesso à internet e, assim, não consegue disponibilizar as informações necessárias para uma análise de crédito.

Foi esse quadro complexo que inspirou Andrew Watkins-Ball a criar a plataforma de crédito Jumo na África do Sul. “Os bancos não têm informações sobre essas pessoas porque elas não estão online. Mas, embora não sejam mercados online, estes são mercados mobile, porque tais pessoas têm celular”, explicou Watkins-Ball, CEO da Jumo, ao portal The Next Web.

Eles criaram um algoritmo que gera uma análise da confiabilidade de crédito dos usuários com base no uso dos celulares e, assim, lançaram um mercado novo. Com meses de operação, a plataforma facilitou o processo de 6 milhões de empréstimos para 2,25 milhões de pessoas e hoje gerencia entre 30 mil e 50 mil empréstimos por dia de valor médio de US$ 10. O próximo passo é a expansão para Ruanda, Uganda, Gana, Nigéria e Sudeste Asiático.

Horizontalizar no Brasil

Uma importante contribuição brasileira para a gestão com propósito é a compreensão de que para o propósito ser verdadeiro as pessoas precisam ter voz. Isso se reflete em um modelo de gestão horizontal, sem chefes e sem hierarquia. Dois casos já tratados em HSM Management, o da empresa de soluções tecnológicas de recrutamento e seleção Vagas (edição nº 95) e o da fabricante de artigos de borracha Mercur (edição nº 104), dariam um curso sobre o assunto.

Na Mercur, a decisão de envolver o maior número possível de pessoas nas decisões veio com a clareza de que novas habilidades de relacionamento são fundamentais, como explicam Breno Strussman, seu diretor-geral, e Jorge Hoelzel Neto, acionista e membro do board. A transformação ali incluiu a criação de espaços de aprendizado, experimentação e legitimação de ideias e de um plano educacional inspirado no educador Paulo Freire.

A Vagas fez uma ligação direta entre seu propósito e seu modelo de gestão horizontal, que é baseado em consenso. “Nenhum propósito ganhará vida em uma organização se as pessoas não participarem das decisões”, diz seu fundador, Mário Kaphan.

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H-1B: um case de antecipação de problemas

Em um ano em que a tecnologia disruptiva se provou real e presente, em decorrência de uma pandemia global, temos a chance de vislumbrar um futuro que já desponta no horizonte por meio de inteligência artificial, neurociência, biotecnologia, blockchain, e outros temas recentemente inseridos em nosso vocabulário.

Mas o movimento de olhar para trás, revisitando a visão de futuro que mentes brilhantes propuseram no passado pode nos trazer preciosas lições e, também, pistas.

Previsões indigestas – Em 2011, no evento “Sapphire Now” da gigante alemã de software corporativo SAP, grandes nomes como Peter Diamandis e Dr. Michio Kaku discorreram sobre tecnologias disruptivas e mercados emergentes.

Diamandis, fundador e presidente da X Prize Foundation e co-fundador da Singularity University, apresentava sua visão para o futuro através da “Era da Abundância”. Enquanto, Michio Kaku – que já era considerado um dos maiores físicos teóricos do mundo, abordava uma questão indigesta à época que o tempo provou estar correta: a interdependência entre a questão dos vistos americanos e o posto de pólo científico do mundo.

Em um trecho do evento, que pode ser assistido abaixo, Kaku aborda a relevância do visto H-1B ao país:

Alguns de vocês podem não saber, mas os EUA têm uma arma secreta: o H-1B. Sem ele, o pólo científico deste país entraria em colapso. Esqueçam o Google ou o Vale do Silício, eles não existiriam sem o H-1B, que é o Visto dos Gênios. 50% dos candidatos a doutorado dos EUA são estrangeiros. Este país é o ímã que absorve os cérebros do mundo. Remover o visto provocará um colapso na economia.”.

De volta para o futuro – Quase uma década mais tarde, o departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) decretou que estudantes estrangeiros cujas instituições estiverem em operação totalmente on-line no próximo semestre devem deixar o país.

O fundador da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, assim como o CEO do Google, Sundar Pichai, fazem parte dos milhares de imigrantes que entraram nos EUA através de vistos temporários. E ambos se manifestaram contrários à medida anunciada pela Casa Branca.

Em um editorial incomum, o MIT Technology Review defendeu que os empasses políticos que sugerem uma reforma imigratória podem provocar uma debandada de mentes brilhantes do país para países com programas atraentes como o francês Tech Visa, o australiano Global Talent e o canadense Express Entry.

Dois dos principais berços de talentos da tecnologia do mundo, a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) entraram com ação judicial contra a medida assinada pelo presidente Donald Trump.

Em dois minutos de audiência, programada para durar mais de uma hora, o governo concordou em recuar da medida que foi alvo de ação por 17 estados, do distrito de Columbia e diversas instituições de ensino superior. Após a decisão, o presidente do MIT, Leo Rafael Reif, publicou um artigo no jornal New York Times.

Uma manobra arriscada – Para Gabriel Ernandes Purkyt, engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), com MBA em Advanced Analytics, Machine Learning e IA pelo MIT, o impasse com os vistos voltados a estudantes estrangeiros é um tiro no pé, já que perderão algumas das mentes mais brilhantes do mundo.

Segundo Purkyt, dificultar o processo de aquisição do visto classificado por Michio Kaku como um ‘Genius Visa’, que é o Specialty Occupation ou High-Skilled Workers, já levou a uma diminuição no recrutamento internacional para MBA.

Gabriel Ernandes Purkyt, engenheiro egresso do MIT

“Uma das métricas utilizadas em rankings de universidades americanas é a porcentagem de estudantes que está no mercado de trabalho após alguns meses de formado. Com o receio de que esses candidatos a MBA não conseguissem trabalho – pela dificuldade em adquirir o visto, e isso acabar afetando o resultado no ranking, as universidades começaram a subir a barra de recrutamento e diminuir o número de vagas para candidatos estrangeiros”, afirma.

Os estrangeiros são peça fundamental para que os EUA girem a máquina do desenvolvimento científico, inovação e criação de novas empresas. Se você for para Boston ou Vale do Silício, se deparará com uma diversidade de nacionalidades enorme e candidatos acima da média dos americanos.

“Os EUA são um imã de talentos, concentrando mentes brilhantes de todo o mundo que, por sua vez, desenvolvem a economia e tecnologia do país. Na minha visão, é uma besteira dificultar isso”, conclui.

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Relatório Deloitte: O Consumidor pós-Covid

Produzido pela Deloitte, o relatório “COVID-19: Mantendo a lealdade e a confiança do cliente em tempos de incerteza” apresenta doze sugestões para que as empresas gerenciem seus clientes durante a situação atual. Confira abaixo os principais pontos do documento.

1. Seja fiel à sua marca e propósito
Toda interação com seus clientes e parceiros é uma oportunidade de demonstrar do que se trata a empresa e de ser honesto com sua marca e seu propósito. As pessoas estão atentas a como as empresas estão respondendo ao atual cenário, e as empresas baseadas em propósito e que se mostrarem empáticas sairão da pandemia como líderes.

2. Comunique-se com os clientes
Entre em contato com seus clientes. Faça com que eles saibam que aprecia o interesse deles pelo seu serviço ou produto e que se preocupa com eles. Trabalhar com ainda mais proximidade dos clientes em tempos difíceis ajuda na construção de laços mais fortes que podem perdurar ao longo dos anos.

3. Comunique-se com seus funcionários
A comunicação com funcionários, especialmente os que lidam diretamente com os clientes é crucial. Verifique sempre que possível se a equipe está ciente dos processos operacionais para reduzir os riscos de transmissão do vírus de pessoa para pessoa e garanta que os clientes saibam dessas medidas de precaução.

4. Desenvolva novas maneiras de trabalhar com seus clientes
É provável que o COVID-19 tenha um impacto duradouro na forma como as empresas operarão quando a crise acabar. É esperado que as equipes prefiram trabalhar remotamente e as empresas terão que acelerar as mudanças para viabilizar essa preferência. As instituições educacionais também aumentarão suas plataformas de ensino on-line e colaboração em grupo. À medida que o trabalho remoto se tornar mais comum nas próximas semanas e meses, observe os setores da sua organização que já trabalham satisfatoriamente com suas equipes nesse modelo. Processos ágeis e ferramentas de gerenciamento de projetos fazem diferença em equipes focadas no cliente auxiliando na identificação de problemas e acompanhamento de status. Técnicas ágeis podem ser adotadas por uma ampla gama de equipes operacionais visando a transição do trabalho presencial para o remoto, incluindo organização do trabalho em sprints, com duração de 15 a 30 minutos, e reuniões stand-up pelo menos duas vezes ao dia.

5. Tente se unir
Estamos juntos nessa. É tempo de se unir a parceiros e até concorrentes para utilizar os recursos que dispõem para o bem. Por exemplo, se você estiver com problemas no inventário, por qual razão você não poderia obter a ajuda de um concorrente?

6. Faça o seu melhor para cuidar de seus clientes leais
Toda empresa tem seus clientes mais fiéis, selecione serviços e recursos especiais que você possa fornecer para esses clientes valiosos. Embora todos os clientes tenham importância, pode ser necessário tomar a decisão de cuidar dos clientes fidelizados primeiro.

7. Encontre novas maneiras de gerar receita
Este pode ser o momento para oferecer ofertas e descontos especiais para manter sua base de clientes e potencialmente atrair novos clientes. Mas lembre-se, você só pode fazer isso se souber que terá a capacidade de atender a todos. Se o seu planejamento demonstra pressão sobre sua receita de fluxos, considere maneiras pelas quais você possa temporariamente substituir essa receita.

8. Avalie seus pedidos, inventário e níveis de serviço
Inevitavelmente haverá interrupção da sua cadeia de suprimentos, o que, por sua vez, afetará seus clientes. Saber qual inventário você pode obter e quando, será a chave para gerenciar as expectativas dos clientes. À medida que as cadeias de suprimentos reiniciarem, levará algum tempo para a sincronicidade das operações voltar, por isso é importante que você comunique a prioridades de produtos aos seus clientes, para que eles saibam o que esperar. Agora também pode ser um bom momento para olhar a indústria e fortalecer o relacionamento com outras empresas do seu setor, buscando produtos e soluções alternativos ou enviar alternativas aos seus clientes.

9. Revise seu marketing e publicidade
Isto pode exigir mudanças e um novo balanço, já que não há sentido em oferecer produtos e serviços que possam ser insuficientes ou estarem indisponíveis. Você pode ter que atrasar o marketing e publicidade em torno de lançamentos de produtos e serviços, e revisar os gastos com pesquisa paga, mídia digital e social, bem como mídia paga tradicional, em relação à sua capacidade de cumprir os níveis de serviço.

10. Revise também suas propriedades digitais
Se alguns produtos e serviços não estiverem disponíveis, você precisará remover da experiência digital da sua empresa, ou pelo menos receber pedidos em atraso. Se for necessário um aumento de preço devido a COVID-19, certifique-se de explicar o raciocínio por trás para seus clientes. As empresas orientadas ao consumidor devem avaliar as implicações de uma possível mudança de demanda do varejo tradicional para o online, e moverem-se rapidamente para o novo cenário.

11. Use tecnologia avançada
Além do trabalho remoto, realidade aumentada (RA) pode ajudar a manter as pessoas seguras e saudáveis durante a epidemia. Por exemplo, utilizar RA para orientar as pessoas através de procedimentos fáceis de seguir, com instruções visuais, tem se mostrado bem-sucedido, especialmente em serviços de campo. Além disso, recentes inovações no processamento de linguagem natural, análise de sentimento, reconhecimento facial e ressonância emocional podem ser úteis para o seu negócio. As capacidades dos chat-bots estão assumindo mais e mais o trabalho humano, e isso poderia ser um eficaz maneira de manter as linhas de comunicação abertas com o seu clientes.

12. Lembre-se de que o dinheiro é importante
As empresas tendem a negligenciar recebíveis quando a economia está crescendo, as taxas de juros são relativamente baixas e o fluxo de caixa não é uma preocupação. Em tempos de incerteza, as empresas atrasam pagamentos a fornecedores; portanto, não se surpreenda se seus clientes estiverem pensando em fazer a mesma coisa para você. Por isso, é importante melhorar o rigor dos seus processos de coleta. Foco na performance de pagamento de clientes específicos e identificar empresas que possam estar mudando suas práticas de pagamento. Além disso, obtenha o básico corretamente, como faturamento oportuno e preciso. Quaisquer erros no seu processo de cobrança podem levar a custos por atraso no pagamento de recebíveis.

É importante lembrar que enfrentamos crises como essa no passado e enfrentaremos elas novamente no futuro. As empresas querem voltar ao crescimento e continuar fornecendo um excelente valor aos seus clientes. Quais momentos da vida das pessoas você pode melhorar através das suas ofertas? Que ofertas novas, aprimoradas e inovadoras você pode lançar no mercado que lhe darão impulso ao sairmos do COVID-19?

Agora é a hora de analisar e levar isso em consideração para seus futuros roteiros de ofertas. Informe seus clientes sobre a importância deles para você, mantendo os interesses deles em primeiro lugar. Você será recompensado pela lealdade e confiança.

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Festival Novo Mundo: Lala Deheinzelin e Rogério Cher

Vida profissional, inteligência emocional, economia e sociedade. A partir desses quatro pilares, a HSM organizou uma trilha de conhecimento exclusiva para o Festival Novo Mundo, evento que acontece até a próxima sexta-feira (dia 10).

A programação de lives iniciou na segunda-feira, com uma palestra de Lala Deheinzelin, futurista e pioneira em Novas Economias.

Segundo Deheinzelin, o futuro é fruto dos sonhos do passado. De maneira didática e muito visual, a futurista demonstra como as inovações advêm de uma capacidade imaginativa que leva os indivíduos a criarem meios de materializarem essa criatividade. “Apesar de profundamente atrelado ao passado, o futuro é interdependente das escolhas do presente”, afirma.

Você consegue assistir ao webinar com Lala Deheinzelin discorrendo sobre as diversas noções de futuro, compreensão das economias e preparo para operar nas quatro dimensões propostas por sua teoria, neste link.

No segundo dia da trilha, o consultor Rogério Chér abordou o tema “A vida depois do emprego”. Chér, que é considerado um dos principais consultores de carreira do país, trouxe à tona questões como identidade, competências, talento e, especialmente, propósito.

“Falta a compreensão de que o default do mercado do trabalho é as coisas darem errado. Então, o correto é sentir gratidão quando as coisas dão certo, não alívio”, recomenda. Para assistir ao webinar completo, basta clicar neste link.

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5 profissionais que fazem a diferença em políticas LGBT

Apesar de 77 países proibirem a discriminação baseada na orientação sexual no trabalho e de 93% das empresas da Fortune 500 possuírem políticas contra ela, a comunidade LGBTQIA+ ainda enfrenta inúmeros desafios relacionados ao preconceito e a desigualdade no ambiente corporativo. Confira alguns dados:

– 35% profissionais LGBTQIA+ brasileiros afirmam já ter sofrido algum tipo de discriminação velada ou direta.
– Menos de 0,3% dos diretores de conselhos de empresas da Fortune 500 se identificaram abertamente como LGBTQIA+ em 2020.
– 51% dos funcionários transgêneros no Reino Unido disfarçam sua identidade no trabalho por medo de discriminação.
– 22% dos LGBTQIA+ estadunidenses afirmam não receber ou ser promovidos na mesma forma que os seus pares.
– 82% dos LGBTQIA+ brasileiros acreditam que ainda falta muito para que as empresas os acolham melhor.

Selecionamos 5 executivos e empreendedores LGBTQIA+ que se destacam no mercado de trabalho:

Tim Cook – O ex-diretor da IBM e CEO da Apple desde 2011 assumiu publicamente que é homossexual em um editorial para a Bloomberg Businessweek, em 2014. “Eu tenho orgulho de ser gay e eu considero que ser gay é um dos maiores dons que Deus me deu”, declarou. No artigo, Cook explicou que é aberto sobre sua sexualidade há anos e, apesar de muitas pessoas na Apple estarem cientes de sua orientação sexual, procurou se concentrar nos produtos e clientes da empresa, ao invés de sua vida pessoal. Ele terminou o texto dizendo: “Nós pavimentamos juntos o caminho iluminado pelo sol na direção da justiça, tijolo por tijolo. Este é o meu tijolo”. Ele também se tornou o primeiro CEO abertamente gay na lista Fortune 500, da revista norte-americana Fortune.

Maite Schneider – A transexual, empresária e ativista curitibana é conhecida por seus trabalhos voltados à causa LGBT como o portal Casa da Maitê, Integra Diversidade e Transempregos, projeto de empregabilidade voltado para pessoas trans no mercado de trabalho e com o maior banco de dados de profissionais transgêneros. No último ano, foi uma das 25 personalidades eleitas Linkedin Top Voice e finalista do Prêmio Cláudia. Schneider é também co-fundadora da ABRAT (Associação Brasileira de Transgêneros). Você pode conhecer melhor as ideias de Schneider através do seu TED.

Arlan Hamilton – Inspirada por Mike Rothenberg, da Rothenberg Ventures, Hamilton fundou o Backstage Capital, um fundo que investe em “fundadores subestimados”: mulheres, negros, membros da comunidade LGBT, minorias étnicas e religiosas. Até o momento, o Backstage Capital levantou mais de US $ 7 milhões e investiu em mais de 130 startups. Em 2018, Hamilton lançou um fundo de US $ 36 milhões especificamente para fundadoras negras.

Niarchos Pabalis – Ex-Head de Diversidade e Inclusão da SAP, foi reconhecido pelo Financial Times como um dos 30 futuros líderes LGBT do mundo. É também Diretor Global de Diversidade, Equidade e Inclusão da Wikimedia Foundation, empenhado em capacitar e envolver pessoas de todo o mundo para coletar e desenvolver conteúdo educacional sob uma licença gratuita ou de domínio público, e divulgá-lo de maneira eficaz e global!.

Maira Reis – Palestrante e fundadora da Camaleao.co, startup focada em soluções para diversidade LGBTQIA+ e que também ajuda empresas a se conectarem com a comunidade. No último ano, foi uma das 25 personalidades eleitas Linkedin Top Voice.

No Experience você encontra nosso podcast especial gravado ao vivo na Arena CBN Professional, na HSM Expo 2019. Debatemos o tema com Maite Schneider e João Torres, sócio da consultoria Mais Diversidade. Schneider e Torres comentam sobre os desafios de tornar as relações mais humanas nos ambientes corporativos. Outro aspecto abordado é a produtividade em ambientes diversos e inclusivos.

A entrevista foi concedida ao jornalista Milton Jung, da CBN. Clica aqui e confira.

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Como o coronavírus mudou o olhar para o mercado de logística

A pandemia do novo coronavírus provocou um aumento na demanda de entregas de diferentes tipos de produtos: alimentos prontos, itens de supermercado, remédios e presentes, entre outros. A alta procura pelos serviços de entrega tem impactos na infraestrutura e na força de trabalho em diversos estabelecimentos no mundo.

Para a grande maioria das empresas no Brasil, incluindo as consideradas essenciais pelo governo, o serviço de entregas tornou-se a única maneira possível de manter os negócios funcionando. Por esse motivo, quando propomos a discussão sobre o “novo normal”, depois da pandemia, a expectativa é que a maior demanda pelo delivery permaneça.

Acredito que, durante a pandemia, ficou claro que qualquer produto pode ser entregue. Isto não quer dizer, entretanto, que estruturar uma estratégia de logística seja uma tarefa fácil. Muitos empresários que ‘resistiram’ a entregar seus produtos antes do isolamento tiveram que rapidamente procurar alternativas para continuar funcionando.

Vivemos uma verdadeira mudança no comportamento do consumidor. Tal transformação impacta toda a cadeia produtiva, pois o fato de os consumidores estarem evitando as compras em lojas físicas não quer dizer que o consumo diminuiu – ele apenas migrou para o e-commerce. Nos Estados Unidos, por exemplo, a demanda cresceu tanto que alguns dos maiores players de vendas online alertaram sobre possíveis atrasos e indisponibilidade do delivery no mesmo dia ou no dia seguinte à compra.

Mas em meio às incertezas, podem existir muitas oportunidades. Uma pesquisa do Business Continuity Institute descobriu que mais de dois terços (69%) das empresas não conhecem todos os estágios da cadeia logística de seus produtos, o que pode levar a dificuldades no planejamento e na reação a situações atípicas, como a pandemia que estamos vivendo ou crises econômicas localizadas.

Com isso, as pequenas e médias empresas (PMEs) estão em posição vantajosa porque podem dinamizar rapidamente, aproveitando a tecnologia existente e adaptando-se às mudanças mais facilmente.

A verdade é que as necessidades do mercado estão mudando e os serviços de entrega precisam se adaptar rapidamente às novas demandas, especialmente agora, pois a segurança no transporte de produtos é primordial. Além dos custos mais acessíveis, a eficiência ganhou um papel mais importante do que nunca. Com isso, a implantação de serviços de entrega terceirizados pode ser uma opção capaz de manter os custos baixos.

Acredito que, da mesma forma que foi difícil prever as medidas para controlar a crise, prever as circunstâncias pós-coronavírus não é uma tarefa exata. No entanto, há algumas tendências que devem se fortalecer, como, por exemplo, a criação de empresas de qualquer setor que funcionarão apenas como delivery. Por praticidade e também por segurança, cada vez mais os consumidores irão adotar práticas cotidianas online, sem sair de casa. E, como vivemos uma época volátil, incerta, complexa e ambígua, todos os empreendedores devem ficar atentos a mudanças no seu modelo de negócios. Quem estiver mais preparado para as mudanças terá mais oportunidades de crescimento.

Albert Go, diretor regional da Lalamove América Latina

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O novo normal já começou e o home office faz parte dele

Mark Zuckerberg foi o primeiro entre os C-levels de big techs a anunciar o home office como parte da política de segurança durante a pandemia do Coronavírus, seguido pela Microsoft e Amazon. Dois meses depois, em maio, o CEO do Facebook declarou em uma live que os 48 mil funcionários da empresa seguirão em regime de trabalho remoto até o fim de 2020 e que os mais experientes permanecerão trabalhando à distância mesmo após o fase de distanciamento social. Segundo ele, em um prazo de 5 a 10 anos, metade dos funcionários trabalhará de casa.

Em entrevista ao The Verge, Zuckerberg afirma que essas projeções levam em consideração todo o investimento em tecnologias e soluções de presença remota que contribuem com a comunicação à distância, como o Portal e o Workplace.

A decisão marca uma mudança monumental na cultura de uma das empresas mais importantes do mundo. Não por acaso, outras companhias adotaram a transformação. Amazon, por exemplo, anunciou que manterá o home office até outubro – exceto para as equipes dos centros de distribuição. Google, através de seu CEO, Sundar Pichai, disse aos funcionários em uma reunião geral da empresa que provavelmente trabalharão remotamente pelo resto de 2020.

Jack Dorsey, CEO do Twitter, enviou um e-mail a seus 5 mil funcionários dizendo que os mesmos podem adotar o trabalho à distância para sempre, se desejarem. “Se nossos funcionários estiverem em uma função e situação que lhes permita trabalhar em casa e quiserem continuar fazendo isso para sempre, faremos isso acontecer”, disse um porta-voz da rede social em comunicado ao The Verge. “Caso contrário, nossos escritórios (que reabrirão em setembro) serão calorosos e acolhedores, com algumas precauções adicionais, quando acharmos que é seguro voltar”.

Diferentemente dessas empresas, a Apple já iniciou a retomada gradual das atividades. Em abril, o CEO da empresa, Tim Cook, já havia compartilhado com os funcionários o plano de retomada gradual. A volta aos escritório decorre principalmente do grande número de funcionários que trabalham com hardwares. Por isso a necessidade da presença física é mais requerida.

No Brasil, a Nubank teve o home office liberado pela CPO, Renee Mauldin, até dezembro de 2020. “Estou aqui para anunciar que continuaremos a trabalhar remotamente até o fim de 2020. Ainda que seja possível que abramos nossos escritórios antes, não exigiremos que os ‘Nubankers’ compareçam às nossas dependências antes do fim do ano”, declarou Mauldin aos quase 3 mil funcionários.

A XP, outra brasileira do setor financeiro, também anunciou a adoção do trabalho remoto aos seus 2.700 funcionários até dezembro, com a possibilidade de implementá-lo de maneira permanente. A medida foi pautada em uma pesquisa interna que indicava que 95% dos funcionários gostariam de manter o home office por pelo menos um dia da semana e 60% entre três e quatro dias.

“Aprendemos muito nos últimos dois meses e vimos nossas equipes se unirem de suas casas para manter a empresa avançando de forma nunca vista. Além disso, o fato de estarem mais próximos da família nesse momento tão difícil faz com que todos se sintam mais motivados”, declarou, em nota, o sócio e responsável pela área de gente e gestão da XP, Guilherme Sant’Anna.

O que muda? – A revista Exame publicou estudo da consultoria Cushman & Wakefield que ouviu 122 executivos de multinacionais que atuam no país. Segundo a publicação, 73,8% das empresas pretendem instituir o home office como prática definitiva. Antes da pandemia, 42% das empresas nunca tinham adotado a prática e 23% descartavam a possibilidade.

Ao que parece, o novo normal implica na reconsideração dos hábitos pré-pandemia, como o extenso deslocamento diário nas grandes cidades. O distanciamento social trouxe consigo a possibilidade de trabalho remoto e isso apresentou às empresas um cenário de economia inesperada, com redução de gastos com aluguel, energia, água, limpeza e outros itens.

Isso faz com que as empresas passem a cogitar transformar seus espaços físicos em um local de reuniões e treinamento, não mais um ambiente para expediente de trabalho. Em meio à indefinição do que será a nova realidade do mundo corporativo após o coronavírus, há a certeza de que o propósito dos escritórios e prédios corporativos já não será o mesmo de 4 meses atrás.

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Os aprendizados do sistema de saúde durante a pandemia

Na última terça-feira, tive o prazer de realizar em parceria com o Hospital Sírio-Libanês o webinar “Público e Privado: os aprendizados do sistema de saúde durante a pandemia”.

Para o tema, contamos com o Doutor Drauzio Varella, médico oncologista e cientista, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. E Doutor Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e fundador da Anvisa.

Nosso país chegou à triste marca de mais de 1 milhão de infectados, tendo perdido desde o início dessa pandemia mais de 50 mil vidas. Com o auxílio dos doutores Dráuzio e Gonzalo, nós da HSM, buscamos entender a situação, suas problemáticas e, especialmente, quais os papéis competentes aos sistemas público e privado de saúde.

Selecionei alguns trechos do webinar, que está disponível nesse link, para que mais pessoas possam acessar as ideias dessas que são duas das mentes mais brilhantes da ciência brasileira.

Responsabilidade social:
“Eu vejo a situação do Brasil com muita preocupação! A epidemia está correndo solta. As cidades que soltam um pouco aumentam seu número de mortes. A população também não entendeu a importância do isolamento pois há um Governo Federal que diz “olha, isso daí não tem problema nenhum, temos que pensar na economia”. Isso é de uma burrice catastrófica. Não é o isolamento que paralisa a economia, é o vírus. Pega as cidades que estão liberando as pessoas, isso está ativando a economia?”. – Dr. Dráuzio Varela

“50% dos recursos do SUS são federais, 25% estadual e 25% municipal. Então, estamos falando de um país que precisa do governo federal, precisa de liderança para direcionar a ajuda. Há falta de estratégia neste isolamento, especialmente com os pobres. Por que as pessoas pobres vão para a rua? Porque não há comida em casa, eles não têm a possibilidade de estocar”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

Sistemas público e privado de saúde (SUS):
“O SUS é o maior sistema de saúde pública do mundo. Nós temos 210 milhões de habitantes e ousamos dizer que todos têm direito à saúde pública gratuita. Vejo as pessoas falando “ah, o NHS na Inglaterra é maravilhoso”, tudo bem. Um país pequeno, com 60 milhões de habitantes, desenvolvido, uma população com alto nível educacional, até eu organizo o sistema de saúde. O Brasil, com essas discrepâncias sociais que temos, de dimensão continental, com diferenças regionais, 210 milhões de habitantes, não é uma tarefa simples!

Qual é a política de saúde pública do Brasil? Ninguém é capaz de dizer, porque não existe política de saúde pública no Brasil. Eu acho que o SUS deu uma grande demonstração de agilidade nesse momento. Foi só entrar um pouco mais de dinheiro, as pessoas se organizarem, a iniciativa privada ajudar. O SUS tem feito um esforço enorme para poder enfrentar essa situação toda nas piores condições possíveis, sem Ministério da Saúde praticamente.

Essa diferença entre a medicina privada e pública vai existir por muito tempo ainda. Mas ela não pode ter a disparidade que tem. Não podemos ter uma medicina para quem tem dinheiro, com os maiores recursos, toda tecnologia e o melhor tipo de atendimento. E uma medicina pobre feita para gente pobre. Não pode ser assim! Isso não é coisa de um país civilizado. Enfim, quando se chega numa situação de calamidade pública, essa fronteira entre o público e o privado deve desaparecer”. – Dr. Dráuzio Varela

“O SUS, assim como o sistema de saúde europeu, está fazendo o que dá para fazer. nosso Sistema Único de Saúde não é um desastre! o SUS é responsável por praticamente 100% da hemodiálise e 95% dos transplantes feitos no Brasil. É responsável pela vigilância sanitária, pela vigilância criminológica, pela distribuição de medicamentos de alto custo, por tratar quase a totalidade de hemofílicos e portadores do vírus da Aids do país. Ou seja, o SUS é um bruta de um sistema de saúde. Essa epidemia vai deixar bem claro isso: não é um problema do SUS, é um problema do Estado brasileiro. O Estado Brasileiro é muito mal gerenciado, e a gestão se dá na Administração Pública brasileira.


Essas questões relativas à articulação entre o público e o privado são muito importantes. Nós temos que discutir a melhoria de escalas e a melhoria do apoio. Tem que se ver o Estado como parte da Administração Pública, esse é o grande desafio. Se não tiver administração pública, não sobra Brasil! Tem que ter Estado com capacidade de gerir. Não é menos Estado, mas um Estado melhor”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

Vacinação:
“Os EUA acabaram de comprar US$ 400 milhões em vacina da AstraZeneca, que ainda não foi testada. A empresa já está construindo sua fábrica para, quando terminarem os testes, já terem um local de produção – correndo o risco de jogar toda essa produção no lixo, caso não funcione. Essa vacina será comercializada por um preço relativamente pequeno US$ 3 – cerca de R$ 21. Vinte e um reais vezes 200 milhões dá muito dinheiro. Agora, se eu decidir construir uma fábrica hoje no Brasil para essa vacina, essa fábrica vai custar mais algumas centenas de milhões de reais. Ou seja, posso acabar jogando fora alguns bilhões de reais se a vacina não tiver dado certo. O que o Tribunal de Contas dirá se esse dinheiro for público?


E essa é uma decisão estratégica de Estado, não de governo. Os países que têm governo hoje e um bom Estado estão analiticamente tomando essa decisão. E nós não temos com quem conversar sobre esse assunto no Brasil. Essa pauta custará mortes desnecessárias por alguns tostões. Isso porque, numa economia de R$ 3 trilhões como a nossa, vamos discutir R$ 2 bilhões que poderiam ser muito bem investidos para que tivéssemos capacidade de evitar a morte de 50 mil brasileiros. É disso que falamos quando falamos de vacina”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

“Suponhamos que até o final do ano tenhamos a vacina. Vamos imaginar que a gente comprasse da AstraZeneca ou da Sinovac, um dinheirão grande. Nós disporíamos dessa vacina, na melhor das hipóteses, em fevereiro, março. Nesse momento, será que a vacina será tão necessária assim? Tem esse risco de a epidemia começar a se esvair, em todos os lugares tem acontecido isso. E aconteceu com todas as outras epidemias. Os parentes mais próximos do coronavírus provocam epidemias de gripe e resfriados, que não dão imunidade duradoura. Tudo isso aumenta muito a complexidade dessa questão das vacinas.


Nessa hora, nós tínhamos que ter o que? Uma estratégia. Um Governo Federal que seja um Governo Federal, um Ministério da Saúde, uma pessoa de liderança, com capacidade profissional e técnica, e um bom trânsito entre as outras autoridades de fora da área médica, que pudesse estabelecer critérios. Onde é que nós vamos pôr o dinheiro? De que maneira vamos aplicar esse dinheiro? Qual o jeito melhor? De que modo podemos combater a epidemia? Mas isso é um sonho. Não estamos nem perto disso”. – Dr. Dráuzio Varela

O “novo normal”:
“O novo normal não é algo que vai acontecer, é algo que nós vamos construir. Seja na questão da informática ou direito à saúde pública, esse novo normal será construído por nós. Por isso é tão importante essa discussão, para difundir ideias e criar vontades. Nós temos que criar a vontade de ter um país melhor, de ter uma sociedade melhor, de ter um mundo melhor. Essa é a função de cada um de nós, transmitir os desafios e boas novas que esses tempos trazem consigo”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

“Vejo as pessoas revoltadas, mas assim é a vida, a natureza nos impôs esse limite. Essas crises ensinam muito à humanidade de um modo geral. Temos o ímpeto de querer reconstruir. Mas cabe a nós pensarmos como queremos viver a vida passado tudo isso. Será que faz sentido viver como era antes? Pegar um carro e levar 2 horas para percorrer 15km, precisa disso? Precisamos repensar muita coisa, em especial que país queremos deixar aos nossos filhos, aos nossos netos. Temos que reorganizar o país! Eu acho que na saúde, deixaremos o país melhor. O que precisamos é refletir: de que maneira somos capazes de melhorar o mundo em que vivemos? De que maneira vamos modernizar o Brasil?”. – Dr. Dráuzio Varela

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O Conceito 4Cs para a retomada dos ambientes corporativos

A provocação deste texto é sobre a retomada dos escritórios, ambientes de trabalho e a prática do teletrabalho. Muito se tem escutado sobre o ‘Novo Normal’ – visões diversas e ricas, e às vezes, contraditórias – só para trazer um exemplo bem simples, uns defendem o acrílico como proteção e barreira para retomada da convivência corporativa, outros dizem que é mais um item que exigirá limpeza constante e se não for bem limpo, vira um agente de transmissão. Para onde ir e o que realmente considerar para a retomada do ambiente corporativo?

Por isso, após um mergulho em artigos, estudos nacionais e internacionais e análises de diversos setores, eu entendo que a discussão precisa ser muito mais estratégica e inspirada nos tão famosos 4Ps (eu não posso perder minha raiz, sou formada em Marketing), desenvolvi um conceito para o FUTURO DO TRABALHO que chamei de 4Cs – ele é mais do que discutir o acrílico, espaçamento entre pessoas ou circulação – ele é um PLANO DIRETOR que discute 4 PILARES ESTRUTURAIS sobre o que acreditamos que viveremos nos próximos anos. Lembrando que ações táticas e imediatas são necessárias agora, entretanto serão repensadas quando a vacina for encontrada e democratizada. Então vamos colocar nossa energia em pensar estrategicamente.

O que são os 4Cs? – Este conceito foi desenvolvido considerando o humano no eixo central das decisões e do futuro do trabalho: Confiança | Cuidado | Casualidade-Conforto | Conexão e abordaremos cada uma delas a seguir.

Antes, vale resgatar uma frase provocativa que adoramos do pai da Administração Peter Drucker:
“Estratégia de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes”.

Confiança – Este é um pilar amplo, recheado de variáveis controláveis e incontroláveis – agora mais do que nunca, com uma camada a mais de incertezas – porém nada fará sentido se a porta de entrada não for a CONFIANÇA! ‘Confiança’ pode ser traduzida por sinceridade, transparência, lealdade, te dou meu melhor, competência, bem-feito, fé – não algo espiritualizado e sim meu voto de confiança em você. Entendemos que o Home Office – que veio para ficar – só cabe numa gestão por CONFIANÇA. A empresa, seus gestores confiam no colaborador e o colaborador dá o seu melhor porque confia na liderança… é uma via de mão dupla, como em todo relacionamento.

No futuro do trabalho precisamos fortalecer as relações de confianças que já temos e restabelecer as que de alguma forma foram abaladas. Se em algum momento existiam dúvidas da produtividade em Home Office, certamente, isto já foi por água abaixo. Os colaboradores precisaram se adaptar, mas as lideranças também. Quantos ainda não se utilizavam do modo ‘comando-e-controle’ para supervisionar suas equipes e não gerencia-las. Além do modo de gestão, precisamos readquirir a confiança que ficou fragilizada, como de frequentar lugares públicos, estar perto do outro. E aí sim entram as ações táticas de pontos de higienização, limpeza e cuidado – que nos leva ao próximo pilar.

Cuidado – Acredito que nunca antes tivemos uma consciência tão presente em cada um de nós sobre a importância do coletivo. A lição mais forte que este momento nos deixa é que precisamos do outro para seguir, seja para ampliar nossas competências, seja para compartilhar e cuidar do coletivo. Por isso, nosso segundo pilar é sobre CUIDADO.

Aqui vale uma pequena lembrança… num momento também marcante para nosso país, para ser mais exata em 2.018, passamos pela Greve dos Caminhoneiros. Assistimos um desabastecimento preocupante, no qual todos corriam aos supermercados e compravam tudo o que podiam. Mudamos tão sutilmente nosso mindset, que eu já presenciei pessoas tirando produtos de seus carrinhos de compra e entregando para senhoras diante de uma prateleira vazia. Quantas doações! O setor privado nunca doou tanto! Os indivíduos nunca se mobilizaram tanto nas lives solidárias. Estamos na era do CUIDADO CONSCIENTE (só para acrescentar mais um ‘C’ nesta reflexão’.

Somos muito mais conscientes e atentos para o autocuidado – no qual eu tomo ações de proteção pensando no meu bem estar individual, mas também no cuidado coletivo – que eu seja também um agente do bem estar da comunidade. Isto para o FUTURO DO TRABALHO é vital… eu preciso confiar no ambiente que frequento, ter a percepção que ele é cuidado e fazer minha parte, cuidando para que ele se mantenha – atitudes tão simples e que se tornaram primordiais.

Casualidade/conforto – Outra lição aprendida para o FUTURO DO TRABALHO é que quebramos muitos protocolos e nos reconhecemos humanos… quantas reuniões virtuais com latidos de cães ao fundo, com filhos querendo colocar a cara no vídeo, com o som do micro-ondas apitando porque o prato está pronto para o almoço e tudo bem! Como mudamos nosso comportamento! Quem não se lembra do meme onde o filho invade o escritório em uma transmissão ao vivo do pai, professor e comentaria de uma respeitada rede internacional de TV em 2017. Será que em tempos de hoje haveria tanto desespero em tirar a criança de cena?

Queremos que nossos espaços de trabalho sejam a extensão de nossas casas, ofereça conforto, acolhimento, casualidade. Não, não significa que queremos trabalhar de pijama, mas todos queremos baixar a guarda das formalidades que não agregam. Sim, queremos ter áreas de convívio, descompressão, tomar um café, perguntar como foi o dia e trocar ideias de como produzir melhor. Alguns ambientes corporativos já estavam nesta linha, mas sabemos que ainda era mais aspiracional para muitos do que uma prática.

Conexão – E este último e quarto C, abrange várias leituras:
• Conexão com Pessoas: somos humanos, seres sociais, precisamos conviver e compartilhar e PONTO DE ENCONTRO será uma fascinante função do ambiente corporativo. Não viremos todos em Home Office continuamente (sim esta prática será mantida de forma alternada), queremos estar com nossos colegas!
• Conexão Tecnológica: é a infraestrutura mínima necessária para o teletrabalho, para manter a conexão com a rede da empresa, para realizar reuniões virtuais. Certamente, a transformação digital que o mundo passou foi o alicerce para enfrentarmos a pandemia e seguirmos produtivos remotamente como estamos. Inclusive emocionalmente. As comemorações virtuais, as lives de entretenimento, as conversas e apoios por grupos que trocamos mensagens. O encanto da tecnologia.
• Conexão com Valores e Propósito da Empresa: e aqui cabe uma frase que desenvolvi e acredito: ‘um propósito só tem razão de existir quando você enxerga e entende o outro’… e voltamos para a CONFIANÇA e o CUIDADO COLETIVO onde tudo se encaixa e vira um grande círculo virtuoso

Nas pesquisas e levantamentos sobre produtividade no Home Office ‘distanciamento dos colegas’ sempre é o atributo mais identificado como desvantagem na prática do teletrabalho, Somos humanos… faz parte da nossa natureza a conexão, a convivência, o compartilhamento, o coletivo. Comunidade expressa tão bem esse espaço ‘público’ utilizando a qualidade, os valores comuns que conectam a diversidade com o cuidado coletivo acima de tudo – que antes já era importante, agora é vital.

E para finalizar este artigo sobre o FUTURO DO TRABALHO, vamos colocar um horizonte de tempo. Entendemos a retomada do trabalho em 3 fases:
Reagir (imediato)
Ações de resposta a crise/ garantir a continuidade da operação/ manter o negócio
Retornar (curto-médio prazo)
Um retorno gradual às condições de trabalho ainda conciliando reaproveitamentos, reusos e adaptações com o objetivo de sustentar o negócio
Recriar (médio-longo prazo)
Um retorno geral às condições de trabalho sob novas regras e condutas, respeitando os 4Cs do Futuro do Trabalho
Os espaços só fazem sentido quando concretizam a cultura da empresa.

Claudia Trentin é especialista em pensamento analítico, uso da informação e futuro do trabalho. E atua como consultora e professora HSM

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Startups e grandes corporações: um relacionamento de sucesso

Do latim Innovatio.onis, a palavra inovação pode ser resumida como “aquilo que é novo”. Apesar de parecer um conceito muito simples, não podemos ser simplistas: seja para vender um produto ou um serviço, pensar em soluções diferentes, rápidas e atraentes para o público é sempre um grande desafio para as marcas. Isso porque não basta pensar fora da caixa, é preciso entender o que o seu target de fato quer.

Além disso, hoje, mais do que nunca, é necessário se antecipar e estar um passo à frente da concorrência, oferecendo algo que seu público ainda nem imaginava que queria ou que precisaria. Por isso, gigantes de diversos setores sempre apostaram departamentos de inovação para criarem essas tais soluções disruptivas e saírem a frente de seus concorrentes.

Porém, não muito tempo atrás, em meados dos anos 2010, um novo fenômeno começou a surgir no mercado mundial: as startups, que nada mais são do que modelos de negócios focados em criar um ecossistema de inovação que seja repetível e escalável. Para se ter uma ideia, de acordo com a Abstartups (Associação Brasileira de Startups), em 2015 o Brasil possuía mais de 4 mil iniciativas inovadoras. Hoje, o número já deu um salto de 217% e ultrapassa 13 mil iniciativas cadastradas.

Contudo, ao contrário que muitos pensaram na época, as startups não vieram para disputar espaços com as grandes companhias e gerar concorrência, mas para caminhar de mãos dadas em direção à geração de valor. Com isso, muitos empresários perceberam a sinergia entre ambos e começaram o flerte com esse modelo de negócios, o que tem trazido bons resultados tanto para empreendedores quanto para essas corporações.

Um bom exemplo disso são os programas de aporte e aceleração, em que as marcas buscam soluções disruptivas, e em troca injetam capital nessas iniciativas. E o resultado não poderia ser diferente: um casamento longo e muito feliz, cujos pilares da relação são a confiança e aumento de receita para ambas as partes.

Veja, enquanto as iniciativas de inovação consolidam seus nomes e recebem os investimentos necessários para tirarem seus projetos do papel, as empresas – que também estão atuando como investidores-anjo – colhem as novidades, participam dos lucros das startups como acionistas e, de quebra, ainda conseguem reduzir os custos com a resolução de problemas dentro de suas próprias empresas.

Por isso, caro colega empreendedor, às vezes nada melhor do que dar uma olhada à sua volta e se permitir conhecer novos mundos. É como diz o ditado: “sempre tem uma startup nova para uma grande empresa inovar”. Aposte nessa ideia!

Samir Iásbeck é CEO e Fundador do Qranio, plataforma mobile de aprendizagem que usa a gamificação para estimular os usuários a se envolverem com conteúdos educacionais em todos os momentos